Administração do tempo – Parte II

Administração do tempo – Parte II

Na edição anterior mencionei que por meio das escolhas pessoais colocamos o tempo em três “caixas” diferentes: da importância, da urgência ou das circunstâncias. Claro que a escolha pode recair, prioritariamente, sobre qualquer uma delas, mas se você quer ver resultados, a “caixa” da importância deve ser priorizada. Ações que põem foco naquilo que é importante fazem a diferença na vida. A dificuldade aparece quando não se tem claro aquilo que é importante ou quando o importante agora deixa de sê-lo, no momento seguinte. Esta conduta deixa evidente que a nau está sem rumo, hora se vai para o sul e hora para o norte. Alterar a rota pode fazer parte da vida, mas a alteração drástica e incessante pode transformar a vida num eterno rascunho, não havendo tempo, suficiente, para passá-la a limpo.

Neste caminho faz-se a opção por aquilo que é somente prazeroso ou menos difícil de executar. Tenho observado que esta dificuldade é bastante comum. Há algum tempo assisti ao relato de uma médica, chefe da UTI de um renomado hospital da América Latina. O discurso dela é dramático. Ela coletou, assim como fez uma médica norte-americana, informações sobre os cinco maiores arrependimentos dos pacientes terminais. Todos eles estavam vinculados a não escolha daquilo que era importante. Não ter dito aquilo que considerava importante; não ter se permitido alcançar a felicidade, por meio de ações de real importância; e o mau uso do tempo de vida. Você pode ver este relato no site do hospital por intermédio do link: http://www.youtube.com/user/HospitalEinstein/videos?query=os+cinco+arrependimentos+dos+pacientes+terminais.

Uma boa dica para se ter certeza de que se está escolhendo “o importante” é a sensação do dever cumprido. É a certeza de que a realização daquela ação lhe deixou mais perto dos seus objetivos e do ponto onde você quer chegar. Normalmente, pensa-se no que é importante, pois se não fosse assim não se pensaria nisso, mas abre-se mão da sua realização em prol das urgências e do circunstancial. Falta tempo para realização das coisas de importância reais. Porém, o que é importante para um pode não ser importante para outro, mas o que é importante para uma empresa é, na maioria das vezes, decidido pela sua equipe de gestão, visando à obtenção de resultados que garantirão a longevidade empresarial. Neste ponto aparece algo realmente crítico.

Quando um determinado profissional resolve fazer parte de uma equipe (entende-se por equipe aquele time de pessoas que compõem a empresa), ele deve aprender a conciliar o que é importante na sua esfera pessoal com o que é importante na esfera empresarial. As dificuldades aparecem quando as escolhas profissionais são diametralmente opostas às escolhas pessoais, criando uma impossibilidade de conciliação entre as duas “caixas” de importância, a pessoal e a empresarial. Vale a pena refletir sobre algumas perguntas: De quem é a responsabilidade sobre esta situação? Quem escolhe onde vai trabalhar? Quem escolhe quem vai contratar? As respostas para estas questões são as mais diversas: “Eu não escolho onde vou trabalhar, eu pego o que aparece! Aceito aquilo que tem para hoje”. “Fico lá até achar algo melhor”. “Bons profissionais custam mais caro, já estão empregados, então eu contrato quem está disponível e disposto a trabalhar pelo salário oferecido”. “Sei que ele não tem o perfil da vaga e nem preenche, totalmente, os requisitos, mas é o que se tem para hoje”. Discursos parecidos, não é? Será que a situação tem que ser assim ou isto denota uma falta de foco, de ambos os lados, no que é realmente importante, naquilo que vai levar ao alcance dos objetivos? Escolhas são escolhas e não me cabe julgamento, mas vale a pena refletir, pois o tempo passa.

Tempo desperdiçado com o secundário que não vai de encontro aos objetivos é tempo que não volta mais. É um rascunho do que deveria ser feito e não a arte final. Muitos têm dificuldades em definir o que é importante, perdem-se e acabam assumindo situações secundárias como importantes. Por escolher “o secundário” ao invés do principal, os resultados não aparecem e as frustrações substituem o entusiasmo. Acreditaram que haviam escolhido o certo, mas os resultados mostraram que a escolha foi pautada naquilo que não contribuiu para o alcance do objetivo. Então, como identificar o que é importante? Normalmente as tarefas importantes atendem a cinco tópicos:

1. Têm prazo para execução (horas, dias, meses, anos, décadas etc), caso contrário seriam urgentes;
2. São pessoais se tem importância para a pessoa que as escolheu, e são empresariais caso a importância seja para a empresa;
3. Proporcionam prazer no caso de ser pessoal, e imagem institucional favorável no caso de ser empresarial;
4. Trazem resultado positivo a curto, médio ou longo prazo, por exemplo, prosperidade pessoal e lucro empresarial;
5. Estão vinculadas aos talentos pessoais para o indivíduo, e ao negócio para a empresa.

Na próxima edição abordaremos as urgências e as circunstâncias.

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