Automóveis, autopeças e a desindustrialização

Automóveis, autopeças e a desindustrialização

No 32º Senafor, congresso voltado a processos de conformação metálica, foram apresentados números sobre a indústria automobilística no Brasil e no mundo. Estas informações são de grande importância para a Metalurgia do Pó, pois quase 70% das peças metálicas fabricadas por este processo têm este mercado como destino.

Entre 2002 e 2011 a indústria automobilística no Brasil passou por um período de forte crescimento, com um aumento da produção de 92% e um aumento de licenciamentos de 146%, colocando o Brasil como 7º maior produtor mundial e 4º maior mercado consumidor. Em contrapartida, o país passa por um momento de desindustrialização que se iniciou em 2004, causado principalmente pelo aumento de importação de máquinas, equipamentos, componentes e produtos acabados. Além disto, o crescente mercado consumidor brasileiro promoveu um aumento significativo na importação de veículos, tanto por fabricantes com unidades industriais instaladas no Brasil como por empresas não estabelecidas. De 4% em 2004, em 2011 chegamos a 24% de veículos importados licenciados no país, ou seja, 1/4 dos veículos licenciados vem do exterior. Soma-se a isto o fato de que várias fábricas no Brasil montam seus veículos a partir de componentes pré-montados no exterior (CKD), o que na prática equivale à importação do veículo. Com isto, a indústria de autopeças (tear 2) e os sistemistas (tear 1) acabaram não se beneficiando de todo este crescimento de mercado. Entre 2002 e 2011 o crescimento da produção de autopeças foi de 54%, muito abaixo dos 92% de aumento da produção de veículos.

Ao analisarmos o PIB do país, em 2002 a indústria de transformação (sem automobilística) representava 50% do PIB industrial do Brasil. Este número caiu para 35% em 2011, mostrando uma clara desindustrialização no país. Já a automobilística subiu, no mesmo período, de 12,3% para 18,2%, mostrando mais uma evidência de que a indústria automotiva foi dos poucos setores industriais que cresceu nos últimos dez anos.

Nos últimos anos o Brasil tornou-se um oásis para a economia mundial. O governo tem agido rapidamente para manter o mercado interno aquecido e também promover a indústria brasileira, inclusive auditando com mais rigor e competência o índice de nacionalização dos veículos fabricados no Brasil. Ações como estas, esperamos, ajudarão a indústria de autopeças no país a retomar sua força.

Uma cópia da apresentação realizada no 32º Senafor pode ser baixada no site www.metalurgiadopo.com.br. As informações foram compiladas a partir de dados disponíveis no site da Anfavea, Sindipeças e IBGE.

 

Fernando Lervolino
Fernando Lervolino
Engenheiro mecânico com MBA em Gestão Empresas pela FGV. Pwder Metallurgy Technologist pela MPIF (USA), coordenador e co-autor da obra "A Metalurgia do Pó" (2009), atuando com Metalurgia do Pó desde 1990 nas empresas Qualisinter, Metalpó Grupo Setorial de Metalurgia do Pó, Höganäs e BS Metalúrgica, nas áreas de P&D, projeto, automação e marketing

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