Economia política

Posso dizer que no decorrer da minha vida, principalmente na infância e juventude, em determinadas ocasiões, tive anseios muito fortes de seguir uma carreira profissional ao sabor de alguma situação especial que naquele momento dava o ar de sua graça. Assim, lembro que ainda pequenininho queria ser capitão de navio quando viajei a bordo de um, provavelmente da série Ita, que em um momento do final da década de 1950 trouxe minha família de Rio Grande do Sul para Santos. Mais tarde, já em São Paulo, quando o caminhão FNM baú da Lusitana veio trazer os móveis lá do sul, me imaginava no futuro vestindo o reluzente uniforme cinza do motorista. Ainda tive várias outras possibilidades, algumas delas convertidas em realidade, tanto é que cursei as faculdades de comércio exterior e finalmente de jornalismo. Esta última, com certeza motivada pelo legado do meu pai, que justamente veio a São Paulo ser editor e redator de dois jornais de escrita alemã daquela época, o Brasil Post e o Deutsche Nachrichten (Notícias Alemãs).

Nos últimos tempos, tenho sentido outra vez esse comichão. E agora é por uma área que eu achava (e continuo achando) muito enfadonha: a economia. Sou do tipo que se interessa pelas notícias econômicas dos jornais, minha avaliação do que acontece se baseia nos meus conhecimentos adquiridos em aula de faculdade. Ok, um ou outro seminário em que personalidades emitem seus comentários, com maior ou menor profundidade, melhoram o meu envolvimento com a matéria. Na verdade, no final dos anos 70 cheguei a fazer cursinho para prestar vestibular de Administração e Economia na FGV (Fundação Getúlio Vargas), em São Paulo. O projeto foi abortado quando fui enviado como trainee para a Alemanha por um ano e meio pela empresa onde trabalhava. Mas, hoje, a motivação que me leva a pensar com mais interesse nessa direção, é bem menos prosaica do que os motivos da minha infância e juventude.

Basta abrir o jornal ou ouvir alguma notícia no rádio do carro para surgir confusão, quando não irritação. O assunto dominante nesse momento atual de política à flor da pele é a situação da economia brasileira. E dá-lhe informação desencontrada. A economia brasileira deverá crescer apenas zero vírgula alguma coisa este ano de 2014. Enquanto a economia chinesa deverá crescer alguma coisa além de sete por cento no mesmo período. E a economia mundial três e alguma coisa por cento. Ao mesmo tempo, o juro bancário no Brasil continua na estratosfera, não precisa citar números, todos os leitores sabem de cor e salteado o juro que paga ao seu banco. E a noticia que acabo de receber enquanto escrevo estas linhas é que o famoso Copom, em sua reunião, decidiu não reduzir a taxa Selic, que deve permanecer nos atuais 11% ao ano. Acho que só estas informações já são suficientes para explicar o meu anseio de querer mergulhar a fundo e tentar descobrir do que estamos falando, afinal. Sem entrar em confrontação político-partidária.

Abram na página desta IH em que mostramos os indicadores econômicos do nosso setor e vejam as curvas em forte queda para entender o meu grau de irritação. Constantemente participo de seminários, hoje não foi diferente. Acabo de voltar de mais um. Apesar do sucesso em termos profissionais e técnicos, estou cansado de ouvir nesses encontros que estamos com poucas vendas, o “mercado está mal”. Mas neste momento as economias mundiais não estão ruins. Os números estão disponíveis, procure pelo país que quiser e vai ver que o número deve ser maior que o nosso fatídico “zero vírgula alguma coisa ao ano”. Por que será? Outros países diminuem a taxa de juros para aumentar o movimento da economia. Já houve casos do juro cobrado ser negativo. Mas aqui a queda da taxa de juro está umbilicalmente ligada ao aumento da inflação. E aí o assunto envereda para um “economês” que não resulta em nenhum efeito positivo para a economia.

Agora, deixando um pouco este assunto fatigante de lado e focando nesta edição da Industrial Heating, lhes convido para lerem nossa nova coluna “Indução”, escrita por Edison da Cunha Almeida. Há algum tempo estudava o momento certo para inserir este tema em nosso rol de colunas e estou certo de que a mesma não poderia estar em melhores mãos. Edison é uma autoridade no assunto, com vasta experiência e conhecimento a ser compartilhado. Certamente, agregará muito à nossa equipe e aos leitores.

Guia de Compras 2014

Como usual, nesta terceira edição do ano, publicamos o já tradicional Guia de Compras. É com satisfação que informo um salto no número de empresas do ramo que se encontram neste Guia em relação ao ano anterior: são mais de 2.000 empresas e 630 classificações! Verifique se sua empresa também está relacionada neste que é o maior manual da indústria do setor de processamentos térmicos no Brasil, abrangendo profissionais das mais diversas empresas de norte a sul do país. E o melhor, disponibilizado sem custo algum ao leitor.

O Guia de Compras é uma importante ferramenta que tem auxiliado muito os profissionais do meio, além, é claro, da exposição das empresas para seus já clientes de carteira e novos potenciais. Caso sua empresa ainda não esteja em nossa listagem, nos contate e não fique de fora da próxima. Todos nós da área só temos a ganhar com isso.

Em tempo: alguém me recomenda uma faculdade de economia?

Boa leitura!

Udo Fiorini
Udo Fiorini
Sócio por 10 anos de uma empresa de fornos industriais. Formado em jornalismo pela PUC Campinas, desde 2008 edita no Brasil as revistas Industrial Heating e Forge. Sócio da empresa Grupo Aprenda que realiza cursos, seminários e eventos voltados para as áreas atendidas pelas publicações da S+F Editora

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