(Im)passividade

O carnaval já passou. Então, pelo jargão brasileiro, o ano está começando. E começou animado – mais no sul do Brasil. Mais precisamente em Curitiba. Dia após dia notícias vindas de lá invadem nosso mundo e, já não nos surpreendem mais. Porque a realidade vivida pelos protagonistas é repetitiva. Mãos nas costas descendo dos carros da Polícia Federal. Também não é mais surpreendente o quilate do preso. Assistimos impassíveis a este desfile esperando para ver quem será o preso do noticiário de amanhã. E, na manhã seguinte, ligamos o rádio do carro e recebemos nova enxurrada de ações matutinas da Polícia Federal. Lava Jato, Pixuleco, Acarajé, Satiagraha, quantas outras mais, as operações fazem uso de nomes inusitados que lhes dão notoriedade.

Pela minha “pouca” idade não assisti aos noticiários da segunda guerra. Somente em filmes e noticiários pude ver o povo também, de certa forma impassível, recebendo as notícias “do front”. E eram informes que traziam vida e morte de milhares, países inteiros desaparecendo, cidades literalmente virando pó. Mas a minha idade me permite lembrar de outro momento mais recente. Em que as notícias da implantação da ditadura militar em nosso país invadiam a nossa tranquila realidade de 1964 com imagens dos tanques nas ruas. Mesmo sendo surpreendido pela linguagem incomum do Pasquim que eu lia no ônibus a caminho de casa, recordo-me da minha impassividade quanto ao que escutávamos da boca popular sobre a truculência militar.

O jovem de agora não conhece uma crise como essa que estamos vivendo hoje. Na verdade, nem conhecia o histórico do Fora Collor, como pude verificar com uma estagiária de engenharia em nossa editora. Ou, por exemplo, do Geisel, outro que lembro das aparições na TV anunciando planos bombásticos de integração nacional. De certa forma, os dias atuais me fazem recordar todas essas cenas do passado. As notícias de Curitiba e o conturbado dia a dia político do Planalto Central influenciam toda a nação e fazem agora indústrias inteiras desaparecerem, cidades diminuírem, empregos virarem pó.

E nós, o que fazemos? Podemos dizer que somos impassíveis? Acompanhamos a economia despencando, inflação correndo solta, desemprego assustando. E não nos abalamos. Continuamos seguindo em frente, procurando sobreviver ao momento. Sabemos que dias melhores estão logo à frente, talvez durem uns dois anos para chegar, no máximo três. Mas quando vier o vira…

Temos um ano muito interessante pela frente. Começando já em Março com o III Seminário de Processos de Tratamentos Térmicos, a ser realizado dias 17 e 18, na FACENS, em Sorocaba. Com certeza, o maior evento do setor de Tratamentos Térmicos em 2016, com direito a visita ao tratamento térmico da ZF, na sua planta próxima dali. E o ano segue firme. Em Maio temos, pela primeira vez, duas feiras concorrentes da indústria nacional de equipamentos: a FEIMEC, patrocinada pela ABIMAQ, que terá sua primeira edição de 02 a 06 de Maio no São Paulo Expo Exhibition and Convention Center, e a tradicional Mecânica 2016 – 31ª Feira Internacional da Mecânica, que acontecerá de 17 a 21 de Maio, no Anhembi, em São Paulo.

Temos um novo colunista para as edições deste ano. Paulo Vencovsky tem longa trajetória profissional na área de recobrimentos e vai nos contar mais na recém-criada coluna “Recobrimento” sobre este universo que tem tudo a ver com processamento térmico.

Boa leitura!

Udo Fiorini
Udo Fiorini
Sócio por 10 anos de uma empresa de fornos industriais. Formado em jornalismo pela PUC Campinas, desde 2008 edita no Brasil as revistas Industrial Heating e Forge. Sócio da empresa Grupo Aprenda que realiza cursos, seminários e eventos voltados para as áreas atendidas pelas publicações da S+F Editora

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