Os ciclos do aço e as influências externas

Os ciclos do aço e as influências externas

Tendo trabalhado na indústria do aço por mais de 25 anos – tanto como fabricante quanto como usuário de aço – para mim, é algo bastante claro que esta indústria passa por ciclos. Sem pesquisar especialistas ou dados, os ciclos de queda parecem durar cerca de dois anos e ocorrem, aproximadamente, a cada cinco anos. Este intervalo é afetado por influências externas como a força das indústrias automotivas, aeroespaciais e de óleo e gás. A “saúde” de empresas como a TimkenSteel, destacada na matéria de capa da edição americana do mês de Agosto, no momento atual está sendo afetada pelo declínio nas atividades do setor de óleo e gás.

Quando a indústria entra em um destes ciclos de declínio, os pedidos por proteção ficam mais altos. Provavelmente, isto ocorra porque durante os períodos de baixa demanda, quando o aço está mais abundante (ao redor do mundo), é mais provável que se importe aço para os EUA, e para outros países que utilizam o aço, com custos mais baixos, o que afeta os fabricantes internos de aço. No início de 2015, a importação de aço dos EUA foi de 32% do mercado, um índice historicamente alto. Como reação a este último ciclo, foram promulgadas novas leis de comércio, as quais pretendem salvar empregos nesta área.

Em Junho, o American Iron and Steel Institute (AISI) aplaudiu a aprovação do projeto de lei (240-190) das contas alfandegárias pela Câmara dos Deputados. O AISI diz que com este projeto de lei espera-se melhorar as leis do comércio oferecendo mecanismos mais efetivos para limitar as importações de produtos de baixa qualidade e subsidiados pelo mercado americano. O Senado também aprovou este projeto de lei.

A ArcelorMittal, a U.S. Steel e outras siderúrgicas domésticas recentemente abriram um processo comercial contra a China, Índia, Coreia do Sul e Taiwan. A apresentação destes tipos de casos de “antidumping” talvez tenha se tornado mais fácil devido à mudança na legislação encorajando a indústria a apresentar mais casos de comércio desleal. No passado, as siderúrgicas eram mais relutantes em apresentar tais casos temendo que não cumprissem os requisitos de prejuízo.

A nova legislação diz: “… o ITC (United States International Trade Commission – USITC ou também I.T.C., Comissão de Comércio Internacional dos EUA) não pode determinar que não há prejuízo material ou ameaça de prejuízo material para uma indústria nos Estados Unidos meramente porque aquela indústria é rentável ou porque o desempenho daquela empresa aumentou recentemente.” O CEO da U.S. Steel, Mario Longhi, chamou a mudança de “um primeiro passo importante” para nivelar o campo de jogo contra as importações desleais.

O Trans-Pacific Partnership (TPP) é outra proposta de acordo comercial que talvez afete a indústria norte-americana e a segurança dos empregos dos trabalhadores do EUA. Nós não conhecemos as especificidades do TPP, mas a The Alliance for American Manufacturing quer que nós peçamos ao congresso norte-americano para garantir que o TPP pare com esta moeda fraudulenta. Eles sugerem que durante, somente, 2013, cerca de 900.000 postos de trabalho americanos foram perdidos devido ao déficit comercial com o Japão e que a sua moeda fraudulenta ajudou no crescimento deste déficit. Eu não posso falar pessoalmente sobre o TPP, mas parece-me estranho que o Presidente Obama e os Republicanos estejam trabalhando juntos nesta legislação. Você decide se levanta alguma bandeira vermelha.

Legislação Ambiental

Ao mesmo tempo em que algumas legislações podem ter um impacto positivo sobre a indústria dos EUA e os seus trabalhadores, as legislações ambientais claramente não estão ajudando. Um exemplo é a regulação do ozônio proposta pela EPA (Environmental Protection Agency, Agência de Proteção Ambiental dos EUA). Um representante da NAM (National Association of Manufacturers – Associação Nacional de Manufatura) testemunhou, em uma audiência intitulada “Regra do Ozônio Proposta pela EPA: Impactos Potenciais na Manufatura”, dizendo que “mais de 66% dos fabricantes estão preocupados em como os novos padrões para o ozônio impactarão nos seus negócios”. A NAM está encorajando a EPA e a Casa Branca a manter os padrões atuais para o ozônio.

Olhando de uma forma generalista para os impactos da administração Obama na agenda climática, um estudo do início deste ano indicou que as regulações da EPA poderiam eliminar 586.000 postos de trabalho até 2023.
Um estudo anterior feito pela Heritage Foundation esboçou as seguintes projeções em relação aos impactos das regulações até 2030:

• Perda de 500.000 postos de trabalho na indústria norte-americana;
• Perda de 45% dos postos de trabalho nas minas de carvão;
• Perda de US$ 2,5 trilhões no PIB dos EUA;
• US$ 7.000 (ajustado pela inflação) de perda de renda por pessoa.

Como nós incitamos nos leitores no passado, prestar atenção nestes problemas é algo que você deve a si mesmo, aos seus funcionários e à sua indústria. Ser um defensor quando você deveria defender políticas específicas e a indústria dos EUA e se opor a políticas que prometem afetar negativamente a indústria do processamento térmico em altas temperaturas. Se não for você, quem será?

Reed Miller
Reed Miller
Mestre em engenharia metalúrgica, experiências de carreira industriais variam de aço derretendo ao acabamento; rolamento de fabricação, testes e tratamento térmico; e forjou manufatura moinho-roll e tratamento térmico. Com mais de uma década como editor da Revista Industrial Heating nos EUA, ele traz mais de 35 anos de experiência para a sua posição. Contate: +1 412-306-4360 ou reed@industrialheating.com

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