Peças sinterizadas: Como comprar?

Peças sinterizadas: Como comprar?

Nas colunas anteriores falamos sobre as vantagens do material metálico sinterizado e suas aplicações. Nesta edição vamos apresentar um roteiro básico para a aquisição de materiais sinterizados. Primeiramente, os principais motivos para a mudança de um produto são a redução de custo, a melhora do desempenho ou a busca de soluções ambientalmente corretas. O material sinterizado, dependendo da aplicação, proporciona ganhos em todos estes quesitos, porém seu correto dimensionamento e especificação são essenciais para obtenção dos resultados desejados.

Como referência, as peças sinterizadas pesam de 1 grama até 4kg e os lotes partem de 3.000 peças mensais, podendo chegar a um milhão.

Caso 1 – Quero converter uma peça já existente para sinterizado:

A primeira coisa que pergunto ao cliente é como ela é fabricada hoje. Se a peça for estampada ou injetada (alumínio ou zamac) e o cliente está satisfeito com as tolerâncias dimensionais, desempenho do material e formato da peça, dificilmente o material sinterizado será competitivo. Por outro lado, se o cliente está tendo problemas com a peça atual feita por estes ou outros processos tais como fundição, microfusão e usinagem, provavelmente o sinterizado será a maneira mais eficaz de se chegar a uma solução.

O segundo passo é o de se conhecer a aplicação, a função da peça, sua solicitação e o ambiente em que trabalha. Com estas informações torna-se possível determinar o material sinterizado adequado e o formato final da peça. Formato? Sim, pois assim como em qualquer outro processo, o formato deve ser “adaptado” para tecnologia de conformação que será utilizada, no caso a compactação de pó metálico. Existe a preocupação com chanfros, saliências e detalhes que na grande maioria dos casos não tem função para aplicação, mas que pode causar grandes transtornos na construção da ferramenta ou no setup da máquina de produção, além de encarecerem o produto.

Quanto ao material, a metalurgia do pó permite uma flexibilidade muito grande para criação de ligas, porém a escolha de um material normalizado ajuda a reduzir os custos de fabricação e os prazos de entrega. A conversão 1:1 geralmente não ocorre, ou seja, se o material atual é, por exemplo, um aço SAE 1045 (0,45% C), o material sinterizado provavelmente será um aço Fe-Cu-C. O cobre, considerado impureza nos aços convencionais, é um importante elemento de liga para o aço sinterizado.

Caso 2 – Estou criando um produto e vou desenvolver uma peça nova para ele:

Esta é a melhor oportunidade para se projetar uma peça 100% adequada ao processo de Metalurgia do Pó. É o momento para se chamar a empresa fornecedora do sinterizado para sugerir soluções na fabricação dos componentes. Como em todo desenvolvimento, a peça que “nasce” correta reduzirá os custos e prazos de desenvolvimento. Por outro lado, chamar a empresa sinterizadora já com o projeto desenvolvido poderá exigir alterações no desenho, não só da peça sinterizada como das contrapeças, além de exigir a revisão e reaprovação do projeto.

Tanto em um caso como no outro, procure sempre a orientação de um especialista. Cada empresa sinterizadora possui uma equipe altamente capacitada para dar todo suporte técnico para um desenvolvimento. Em www.metalurgiadopo.com.br encontram-se listadas as principais empresas que lidam com materiais sinterizados no Brasil, e também todas as informações básicas para o correto desenvolvimento de peças sinterizadas e vários casos de conversão de peças. Vamos experimentar? Sucesso no seu desenvolvimento!

Fernando Lervolino
Fernando Lervolino
Engenheiro mecânico com MBA em Gestão Empresas pela FGV. Pwder Metallurgy Technologist pela MPIF (USA), coordenador e co-autor da obra "A Metalurgia do Pó" (2009), atuando com Metalurgia do Pó desde 1990 nas empresas Qualisinter, Metalpó Grupo Setorial de Metalurgia do Pó, Höganäs e BS Metalúrgica, nas áreas de P&D, projeto, automação e marketing

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