Perspectivas para o mercado automotivo brasileiro – revisão outubro 2014

Perspectivas para o mercado automotivo brasileiro – revisão outubro 2014

O Brasil tornou-se, em 2012, o 4º maior mercado automotivo do mundo, e as importações de carros cresceram proporcionalmente, chegando a aproximadamente 25% dos veículos. Naquele ano, o governo brasileiro regulamentou o programa Inovar-Auto com o intuito de estimular o mercado automotivo local. Quem aderisse ao programa e cumprisse até 2017 as regras de conteúdo local, investimentos em inovação e tecnologia e melhoria de economia de combustível e redução de emissões, teria descontos progressivos de impostos. Isto gerou números mirabolantes. Cerca de 30 empresas apresentaram mais de 50 projetos nos quais seriam investidos bilhões de dólares até 2017. Destas empresas, cerca de 20 disseram que seus investimentos se dariam através de novas fábricas no Brasil, vide Fig. 1.

Com a regulamentação do Inovar-Auto, as importações que representavam até cerca de 25% dos carros vendidos em meados de 2011 caíram para 20% em 2013 e neste ano tem ficado em torno de 17%, vide Fig. 2. Parece que o Inovar-Auto está cumprindo seu propósito, com a construção de novas fábricas e o retorno de consumidores que compravam veículos importados para o produto local, mas será que podemos esperar crescimento da produção local para os próximos anos?

Nosso Produto Interno Bruto tem caído nos últimos anos e fecharemos 2014 abaixo de 0,75%. O governo atribui este decréscimo ao esfriamento da economia mundial e fatores como a Copa do Mundo e eleições, mas para economistas de diversos segmentos houveram erros na conduta da economia que causaram a queda no consumo e incertezas quanto ao futuro.

As mais conceituadas consultorias de mercado indicam uma recuperação na produção local de veículos a partir de 2015, com crescimento anual médio entre 4 e 5% até 2020, como por exemplo a previsão da Fig. 3.

Os carros compactos continuarão dominando o mercado brasileiro, e haverá um aumento nas vendas de caminhonetes e SUV’s, conforme pode ser visto nas previsões da Fig. 5.

Para que estas produções e vendas se consolidem teremos que corrigir alguns desvios:

• Melhorar a competitividade do Brasil, que hoje apresenta:

– Custo de produção alto devido ao custo da matéria-prima e energia;

– Logística ruim e cara devido à infraestrutura de transportes;

– Sistema de impostos complexos e muitas vezes em cascata;

– Mão de obra cara e que entrega baixa produtividade;

– Burocracia extrema;

– Pouco investimento em inovação e tecnologia.

• Garantir que o Inovar-Auto tenha continuidade, e para isto algumas questões devem ser trabalhadas pelo Governo:

– Estabelecer as regras do programa para após 2017;

– Não mudar regras definidas durante o novo prazo de vigência;

– Criar uma estratégia de longo prazo para aumento de competitividade da indústria automotiva brasileira;

– Integrar as autopeças ao programa.

• Voltar a crescer, que dependerá da política econômica que será adotada pela Presidente Dilma durante seu novo mandato.

Referências


[1] Roland Berger – “Market Perspectives 2014-2018” – São Paulo, August 2014;
[2] PWC – Auto Facts – “Brazil’s Automotive Industry in a State of Flux”, London, October 2014;
[3] IHS – Metaldyne “Brazilian Automotive Market Perspectives”, Indaiatuba, June 2014.

 

Marco A. T. Pallini
Marco A. T. Pallini
Engenheiro de Materiais formado pela UFSCar com ênfase em Metais e extensão em Engenharia Nuclear. Especializou-se em Engenharia Mecânica pela UNICAMP, e obteve MBA em Gestão Empresarial pelo INPG. Atua no mercado automotivo desde 1985. Atualmente, é o Gerente de Desenvolvimento de Negócios, Engenharia e Tecnologia na Metaldyne Componentes Automotivos do Brasil LTDA, onde desenvolve componentes sinterizados e resfriadores de pistão para o mercado automotivo global

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