Quão cara é a energia da sua empresa?

Quão cara é a energia da sua empresa?

Está nos jornais e no boleto que recebemos mensalmente: a energia no Brasil está muito cara! Parece um consenso, assim como o discurso de que este custo reduz a competividade ou, quiçá, inviabilize a atividade industrial no Brasil. É assustador vermos o discurso se tornando realidade como tem sido o caso da indústria nacional de alumínio primário, energeticamente intensiva. Começamos a imaginar qual será a próxima indústria a ser inviabilizada? Pior, quais indústrias substituirão estas que estão fechando? Deverão ser indústrias que dependam muito pouco de energia.

Mas como “caro” e “barato” são conceitos subjetivos, não absolutos, estamos comparando com algo. Então, que tal compararmos com dados reais e atuais? Afinal, não adianta apenas compararmos com o passado, já que as tecnologias evoluem, assim como as demandas. O Sistema FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), que acompanha de forma permanente a evolução da economia brasileira, gerou um estudo bastante profundo sobre as nossas duas principais fontes energéticas: energia elétrica e gás natural. Ambos são apresentados nos seguintes websites: www.quantocustaenergia.com.br e www.quantocustaogasnatural.com.br.

No caso da energia elétrica, o usuário pode, por exemplo, comparar entre distribuidoras, entre estados e entre países. Então, que tal nos compararmos com China, Estados Unidos e Alemanha?

Humilhamos nossos concorrentes, não é mesmo? Se fosse o caso de quanto maior, melhor! Mas não é. Somos caros. Mais do que o dobro do que a média internacional. Os EUA são um caso à parte, retratado mais profundamente no artigo “Made in USA” do economista Ricardo Amorim: http://ricamconsultoria.com.br/news/artigos/made_in_usa_brazil.

“Vários componentes compõem o preço da energia elétrica, portanto, uma análise é necessária para se entender onde o custo pode ser reduzido”

No caso do gás natural, nossa posição muda. Somos mais competitivos que a China e estamos 10% acima da média internacional, empatados com a Alemanha. Novamente, os EUA são um ponto fora da curva, sendo o gás natural praticamente 4 vezes mais barato lá!

Portanto, macroeconomicamente, estes dois websites podem ajudar os gestores nas suas análises. Mas e quanto à sua realidade, ao micro, ao dia a dia?

Quanto à energia elétrica, o primeiro passo é determinar qual o custo da mesma para a planta, em R$/MWh. Para uma conta rápida, vale pegar o valor pago com impostos (R$) e dividir pela energia consumida (em MWh). O website também informa o valor sem tributos quando se compara entre os estados, por exemplo: 391,45 R$/MWh de média nacional, sendo o Espírito Santo o estado mais caro (444,30), e Roraima o mais barato (222,99). Vários componentes compõem o preço da energia elétrica, portanto, uma análise mais profunda é necessária para se entender onde o custo pode ser reduzido. Alguns exemplos: horário de ponta, demanda contratada, carga reativa.

Quanto ao gás natural, através da conta do mesmo poderá ser obtido o valor em R$ e o consumo em m3. Dividindo um pelo outro, tem-se o valor com tributos em R$/m3, o qual servirá para várias comparações como, por exemplo, entre estados. Caso queira saber quão caro ou barato está o gás natural da sua planta em relação aos outros países, basta multiplicar o valor em R$/m3 por 15,1 para obtê-lo em US$/MMBtu, dentro da metodologia proposta pela FIRJAN. Ou seja, se o seu gás natural tem custado 1,50 R$/m3, isto equivale a 22,65 US$/MMBtu. Ou seja, mais caro que na Alemanha.

Caso sua planta utilize GLP, você pode comparar equivalendo o preço deste combustível com o do gás natural. Para tanto, divida o valor do GLP em R$/kg por 1,26. Ou seja, se seu preço é de 1,89 R$/kg isso equivale a 1,50 R$/m3 de gás natural ou 22,65 US$/MMBtu.

Portanto, estas informações facilitam consideravelmente a avaliação do quanto a energia que a sua planta consome é cara ou barata em relação a outros estados, distribuidoras e países. Além disso, permite uma análise prática da viabilidade econômica da mudança de matriz energética. Por exemplo, converter fornos elétricos para gás natural, assunto que trataremos em outro artigo.

Apenas a fim de introduzir este assunto, sugiro que equivalha as unidades, transformando o preço do gás natural em R$/MWh. Para tanto, multiplique o preço do gás natural por 97,75 ou do GLP por 77,48. Ou seja, 1,50 R$/m3 de gás natural ou 1,89 R$/kg de GLP equivalem a 146 R$/MWh. Isso quer dizer que sua energia elétrica deve estar na faixa entre 336 e 438 R$/MWh. Se a energia elétrica estiver abaixo de 336, significa que sua energia elétrica está barata em relação ao gás. Por outro lado, se estiver acima de 438 quer dizer que seu gás está barato em relação a sua energia elétrica.

 

Claudio H. Goldbach
Claudio H. Goldbach
Engenheiro Químico com pós em Gerenciamento Ambiental na Indústria, ambos pela UFPR. Atualmente, é Diretor da Perfil Térmico Aquecimento e Isolamento Industrial Ltda. e da Termia Technology Corporation

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *