Riscos de asfixia comuns – Atmosferas de tratamentos termoquímicos

Riscos de asfixia comuns – Atmosferas de tratamentos termoquímicos

Sabemos que durante a operação em plantas de tratamentos térmicos/termoquímicos são utilizados diversos tipos de insumos, gases etc. Nesta edição gostaria de relembrar com vocês ao menos os principais gases e resultados de sua utilização que estão presentes na maioria das plantas e que detêm risco presente.

Sempre é necessário e importante ressaltar que as liberações de operação de plantas de tratamentos térmicos seguem regulamentação específica que é aplicada e devidamente fiscalizada pelas instituições e órgãos competentes. As informações aqui apresentadas não têm a pretensão ou objetivo de ser ou sobrepostas ou aplicadas sem o necessário e devido seguimento/cumprimento no que tange à legislação e práticas consolidadas.

O colunista Dan Herring, da revista Industrial Heating nos Estados Unidos, informava já em Abril de 2009 que normalmente quando falamos de riscos na área de tratamento térmico lembramo-nos de imediato sobre riscos referentes a elevadas temperaturas ou manuseio de itens pesados (eu adicionaria incêndios) remetendo à máxima de que o que você não pode ver não pode machucá-lo, o que sabemos e como colocado por ele, com certeza não é aplicado em nossa área. O risco de asfixia está presente quando a proporção de oxigênio no ambiente respirável fica abaixo de 17%, sendo os sinais físicos: tontura, taquicardia, dor de cabeça, dificuldade de respirar, visão turva e náusea.

Uma maneira de sabermos os riscos é conhecer as propriedades perigosas dos gases, a concentração que pode haver na atmosfera respirável sem que haja asfixia, o período de tempo que o ser humano pode ser exposto, além da temperatura ambiente. Este risco pode ser ainda maior quando na atividade do trabalho a ser levado exige-se esforços físicos acentuados. Seguem as substâncias comumente encontradas e que representam os maiores riscos:

– Monóxido de Carbono (CO);
– Amônia;
– Gases e vapores de amônia, propano, metano etc.

O monóxido de carbono não tem cheiro ou cor, além de virtualmente ter a mesma densidade do ar. Ele é um gás tóxico que advém, por exemplo, da atmosfera dos fornos (se não devidamente exauridas/tratadas conforme visto em colunas anteriores) e ainda quando se utilizam processos de combustão na área. Como temos a mesma densidade que o ar que respiramos, devemos ter a área devidamente ventilada e com sistema de exaustão adequado.

Um risco em especial ocorre quando há a necessidade de pessoas entrarem nos fornos para, por exemplo, executar uma verificação e/ou manutenção. Não podemos nos enganar mesmo com o forno frio e aberto por um bom tempo, pois o CO pode estar “infiltrado” nas paredes do forno em função da porosidade presente e ser liberado aos poucos; outras fontes ainda deste problema são os óleos de têmpera que podem armazenar este gás e liberar em quantidade perigosa ou ainda resíduos de gás que permaneceram nas tubulações.

Portanto, há sempre a necessidade de ventilação adequada, pessoal devidamente treinado e habilitado para trabalho em espaços confinados. Durante este trabalho que se efetue a medição da qualidade do ar respirável, verificando os níveis de CO, o que se recomenda também para locais críticos em termos de ventilação próximos aos fornos é a utilização de sensores por toda a área de trabalho. Em última instância e não sendo possível esta medição, devem ser utilizados equipamentos de respiração pertinentes. Os sintomas de envenenamento iniciam-se por uma dor de cabeça indo para tonturas, desorientação, dores musculares, falta de equilíbrio/coordenação de movimentos, náuseas, dificuldade de respirar, convulsões e pode chegar à morte.

No caso da amônia, que da mesma maneira envolve risco, temos um ponto a favor, sua presença é detectada facilmente mesmo em pequenas quantidades por um aparelho contínuo e disponível, o nosso nariz. É um gás corrosivo que ataca as mucosas e os olhos e a principal característica é um forte odor. A partir de 20ppm já indica sua presença, sentido pelo nariz humano e que já serve como um alerta.

Em concentração de 100ppm, causa irritação dos olhos e nariz em alguns minutos; a 700ppm causa uma irritação crítica e forte nos olhos e nariz, mas segundo informações na bibliografia, não são efeitos permanentes se a exposição for menor do que 30 minutos. Se a concentração for de 1700ppm ocorrem casos sérios de tosse contínua, espasmos nos brônquios, edema pulmonar e asfixia; nesses níveis a morte pode ocorrer em até meia hora.

As ações indicadas podem ser tomadas para casos de intoxicação para o CO, amônia bem como no caso de vapores de gases. As ações sempre devidamente empregadas por pessoas habilitadas, por exemplo, pessoas da brigada de emergência e/ou treinadas para esta atividade e vão desde o deslocamento da pessoa para um local de circulação com ar fresco, a chamada emergencial de paramédicos, avisar a todos, identificar a área afetada, sendo possível ventilar a mesma e chamar profissionais treinados para a verificação do problema interditando a área até a resolução do caso, aliado a ações para não reincidência. Agradeço a atenção, peço sugestões e contribuições para próximas edições.

Referências

1. Safety Recommendations for the Operation of Industrial Furnaces with Protective-Gas Atmospheres. Aichelin Industrial Furnaces, W 33 A GB, Austria, 2000.
2. Healthy and Safety in the Heat-Treat Shop. Industrial Heating Magazine, USA, Abril, 2009.
3. Linde Gas, www.linde-gas.com.

 

Antonio Carlos Gomes
Antonio Carlos Gomes
Engenheiro Metalurgista pela FEI; MBA Gestão Empresarial; Mestrando em Engenharia Química pelo IPT. Administrador da unidade da Aichelin Group GmbH na América do Sul - A Sistemas de Tratamentos Térmicos Ltda. Membro da comissão organizadora do TTT

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