FNA 2016 bate recorde de público

De 04 a 05 de Outubro último foi realizado, em Nashville, no estado do Tennessee, nos EUA, a FNA 2016. FNA está para Furnaces North America, ou Fornos América do Norte, em tradução livre. Esta feira é realizada a cada dois anos pelo MTI, Metal Treating Institute, formando par em anos intercalados com outra feira e congresso semelhante, a Heat Treat, realizada pela ASM, American Society for Metals.

Lembrando que tanto o MTI como a ASM tiveram sua origem em reuniões realizadas em 1913 por tratadores térmicos e pessoal da indústria automobilística na então capital do automóvel, Detroit, situada no norte dos EUA. Esse grupo se intitulou Heat Treaters Club, ou Clube de Tratadores Térmicos, em português. A entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, que aconteceu de 1914 a 1918, criou forte demanda metalúrgica, crescendo também a necessidade de informação técnica. O grupo inicial cresceu e se espalhou pelos EUA, chegando em 1919 a 2750 pessoas, já sob a denominação de American Society for Steel Treaters, ASST. Em 1933, esta sociedade se dividiu quando, então, foram formadas as duas associações com as siglas que hoje conhecemos. A MTI, dirigida à área de tratamentos térmicos, com hoje mais de 350 empresas associadas, totalizando mais de 10.000 profissionais, e a ASM, que se tornou a maior associação internacional dedicada aos materiais centrados nos metais.

A FNA é uma feira de dois dias com expositores de equipamentos, componentes e serviços de tratamentos térmicos, juntamente de um ciclo de palestras técnicas que são apresentadas em várias salas por profissionais presentes com stands na exposição. Mas, você deve pensar, tudo isso em apenas dois dias? Na verdade, até menos que dois dias, vamos lá: na segunda-feira iniciou-se a montagem dos stands, que, diferentemente das mostras realizadas no Brasil, não são exatamente stands. Os espaços da área de exposições, na parte de baixo de um hotel com mais de 600 quartos, são divididos por cortinas que formam os corredores, que, por sua vez, acomodaram em espaços de 3,5 x 3,5 mts, mais ou menos, os pertences dos expositores. Vão desde uma única grande mesa (caso do stand da revista Industrial Heating) a forno (caso da Solar) ou geradores de atmosfera (caso da Atmosphere).

Detalhe curioso: algumas caixas usadas para transporte de material de exposição acabam virando os púlpitos de recepção ou mesas de catálogos do stand, sendo muitas vezes a única mobília dos stands. Estas caixas são fabricadas em plástico resistente e projetadas para esta finalidade pela forte indústria americana de componentes de feiras técnicas que também fornece, entre inúmeros outros itens, painéis montáveis em tubos de alumínio e lona plástica, que compõe as paredes laterais ou fundos do stand. Tudo muito prático e rapidamente montável / desmontável.  O espaço dedicado à mostra tinha 5 ruas internas, divididas transversalmente por uma rua.

Montado o recinto na segunda-feira, este foi fechado e oficialmente aberto apenas na terça-feira na hora do almoço. Na parte da manhã foi realizado o ciclo de palestras nas salas fora do espaço de exposição. A mesma rotina foi observada também na quarta-feira, mas já perto das 16 horas começou a desmontagem dos stands. Se formos ver em horas corridas, a feira então não passou de 12, máximo 13 horas de funcionamento.

Já na cerimônia de abertura, na segunda-feira à noite, o evento mostrou a sua força e a grandeza do mercado americano. O salão de grandes proporções do hotel acolheu, conforme informação oficial posterior da MTI, mais de 800 pessoas, entre expositores e convidados. A festa foi patrocinada pela fabricante de fornos AFC-Holcroft, que festeja este ano seu 100º aniversário, que aliás foi recentemente adquirida pelo grupo austríaco fabricante de fornos Aichelin. Linda festa, ícones do tratamento térmico como Dan Herring, o Doutor em Tratamento Térmico, e vários outros, circulando de roda em roda no amplo salão.

Na manhã seguinte, terça-feira, começou o ciclo de palestras, que contou com 5 salas que receberiam no primeiro dia 3 palestras de 30 minutos cada. Na quarta-feira, as mesmas 5 salas receberam 4 palestras cada uma. Todas intercaladas com 15 minutos de coffee break.  Um total então de 35 palestras nos dois dias, divididas em 10 temas: Manutenção, Indução, Tecnologias Emergentes, Materiais, Conformidade, Segurança, Processos, Vácuo, Sistemas de TT, Operações.

Palestras curtas, mas bastante objetivas e focadas pelo que pude verificar nas que participei. Muitas vezes apresentadas pelos CEO’s das empresas expositoras.  Para dar uma ideia ao leitor, queria comentar rapidamente sobre uma das palestras que assisti, proferida por Bob Hill, presidente e cofundador da empresa fabricante de fornos e prestação de tratamento térmico para terceiros, Solar Atmospheres, da Pensilvânia, EUA. O título da palestra era “Tratamentos Térmicos a Vácuo de Componentes Produzidos por Impressão 3D (Manufatura Aditiva)”. Depois de apresentar os diferentes processos de impressão 3D em metal existentes atualmente, Bob Hill explicou que nos últimos meses houve um sensível aumento na procura por tratamento térmico de peças produzidas por este processo.

Entre os exemplos de peças que ele apresentou, destacou um tubo de alimentação de combustível de turbinas de avião. Uma peça curva, parecida em tamanho e curvatura com um dedo indicador. Ele explicou que essa peça era anteriormente fabricada por brasagem e agora, através da tecnologia de impressão, tornou-se muito mais eficiente pela possibilidade de melhora de sua geometria interior. Melhora que significava economia substancial de combustível na aviação e que motivou uma procura muito grande de máquinas de manufatura aditiva por parte de fabricantes de turbinas e por fabricantes de aviões. Bob encerrou sua participação enfatizando o futuro promissor que via no tratamento térmico a vácuo das peças fabricadas pelo processo de impressão 3D. Motivado pela vantagem que o processo apresenta em termos de repetibilidade de processo, exatidão em rampas e patamares, possibilidade de utilização de dispositivos de grafite necessários para apoio destas peças, entre outras particularidades.

Após o final das palestras na terça- feira foi, então, inaugurado oficialmente o pavilhão de exposições. Com mais de 160 expositores apresentando seus produtos e serviços, a feira recebeu nos dois dias mais de 1600 visitantes de 17 diferentes países, um recorde de público como informado posteriormente pelo MTI, organizador do evento. Interessante notar que a cidade de Nashville é conhecida pela música country, e não pela metalurgia ou processamento térmico. E apesar disso e da especificidade, motivos que no Brasil provavelmente significariam o seu fracasso, o evento recebeu um público numeroso e altamente especializado. Digno de nota.

 

Udo Fiorini
Udo Fiorini
Sócio por 10 anos de uma empresa de fornos industriais. Formado em jornalismo pela PUC Campinas, desde 2008 edita no Brasil as revistas Industrial Heating e Forge. Sócio da empresa Grupo Aprenda que realiza cursos, seminários e eventos voltados para as áreas atendidas pelas publicações da S+F Editora

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