Produtividade = uma soma de pequenos acertos

Produtividade = uma soma de pequenos acertos

Costumo dizer que o sucesso na fabricação de peças sinterizadas é a soma de pequenos acertos. A Metalurgia do Pó é uma técnica na qual o “jeitinho” está fortemente ligado à perda de produtividade. Em um mercado onde o cliente, geralmente ligado à área automobilística, tem um grande poder de negociação e onde existe uma forte concorrência com os produtos importados qualquer perda de produtividade influencia no resultado da operação. A seguir, comento alguns fatores em que o dito popular “o barato sai caro” é uma incontestável verdade, tanto na Metalurgia do Pó como em outros processos.

1- Compre a matéria-prima de um bom fornecedor:

Características do pó metálico, tais como boa escoabilidade e densidade aparente estável, são importantíssimas para que a produção trabalhe em boa velocidade e de modo regular, sem paradas frequentes para ajuste de máquina. Também a “robustez” do pó na sinterização evita que as peças apresentem variações de medidas excessivas ou propriedades físicas inferiores.

2- Utilize equipamentos precisos e em ótimas condições de uso:

O ferramental de compactação é fabricado com tolerâncias da ordem de milésimos de milímetro, tem acabamento espelhado e deve suportar tensões acima de 600 MPa por mais de 300.000 ciclos. Por este motivo, é um item de valor elevado. Na verdade, em termos relativos, é o componente mais caro de toda operação, mais do que uma prensa ou um forno, pois enquanto estes chegam a durar décadas, o ferramental dura cerca de 300.000 peças, o que pode representar o lote de um mês. Por isto, monte o ferramental em uma prensa com ótimas condições de trabalho.

3- Selecione o melhor material e tratamento térmico para o ferramental:

São os itens mais baratos no processo de fabricação do ferramental, que também passará por usinagem, retífica, eletroerosão, polimento e ajuste. Depois passará pela montagem e ajuste da prensa até que inicie a produção. Tudo isto para que uma trinca ou lascado aconteça após a compactação de algumas centenas de peças? Não vale a pena! Matérias-primas selecionadas, tratadas de acordo com a orientação do fornecedor, em uma boa empresa de tratamento, fazem a diferença entre uma produção sem paradas e outra com paradas frequentes para manutenção do ferramental.

4- Construa o ferramental rigorosamente dentro do especificado:

Perpendicular fora do especificado causa quebras e engripamentos. Folga incorreta trava o ferramental. Desalinhamento causa desgaste. Além disto, cotas que têm influência sobre o dimensional do produto podem levar a lotes inteiros fora das especificações do cliente.

5- Tenha montadores bem treinados:

Mesmo cumprindo todas as etapas acima, você coloca o valioso ferramental nas mãos de um montador mal preparado. O setup é, comprovado estatisticamente, o momento em que a maioria dos danos é causada ao ferramental. Um alinhamento ou ajuste incorreto pode danificar todos os componentes e comprometer os prazos da produção.

6- Tenha operadores bem treinados:

A etapa de compactação é a mais crítica de todo o processo. É nela que a densificação do pó deve ser feita de modo adequado para que a peça não apresente trincas externas e internas. Um operador experiente saberá se a distribuição do pó ao longo da peça está sendo feita adequadamente e se o ferramental está se movimentando corretamente.

7- Manuseie as peças compactadas (verdes) com cuidado:

O manuseio se inicia na compactação, logo após a extração da peça do ferramental. A retirada da mesma, sem o devido cuidado, pode causar lascados ou trincas. Também a armazenagem e o transporte até o forno são operações críticas. Por último, a colocação das peças no forno deve ser feita com o mesmo cuidado.

Após a sinterização, a peça apresenta características semelhantes às peças metálicas obtidas por outros processos de fabricação e poderá ser manuseada da mesma forma.

As informações acima tratam especificamente do processo de Metalurgia do Pó, porém também valem para outros processos de fabricação. A elas, devemos somar todas as outras pequenas melhorias e acertos inerentes à fabricação e fornecimento do produto. Não é fácil, porém, é necessário para que uma empresa seja internacionalmente competitiva.

 

Fernando Lervolino
Fernando Lervolino
Engenheiro mecânico com MBA em Gestão Empresas pela FGV. Pwder Metallurgy Technologist pela MPIF (USA), coordenador e co-autor da obra "A Metalurgia do Pó" (2009), atuando com Metalurgia do Pó desde 1990 nas empresas Qualisinter, Metalpó Grupo Setorial de Metalurgia do Pó, Höganäs e BS Metalúrgica, nas áreas de P&D, projeto, automação e marketing

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *