Uma nova perspectiva sobre a história da siderurgia brasileira

Uma nova perspectiva sobre a história da siderurgia brasileira

O passado mais uma vez explica o presente…

“A História de um grupo humano é sua memória coletiva, e a seu respeito, cumpre a mesma função que a memória pessoal em relação a um indivíduo: Dar-lhe um sentido de identidade que o faz ser ele mesmo, e não outro.” – A História do Homem – Josep Fontana

Se pararmos para pensar, ainda não terminaram os anos em que a imprensa tem mais a ver com as notícias quentes do dia. Aliás, existia um gracejo bem conhecido na área do jornalismo dos EUA dizendo que se que um cachorro mordesse um homem isso não era notícia, mas um homem morder um cachorro, isso sim era notícia.

Indo ao ponto, por exemplo, a Siderurgia Brasileira tem sido bastante objetiva ao cumprir sua pauta diária em relação às informações que envia para as redações ou fazendo um contato direto com os jornalistas.

Mas as notícias – nos dias que passam – estão mais voltadas para falar sobre uma preocupação com a queda de produção na Siderurgia Brasileira, ou mau desempenho na sua área comercial etc.
Ora, todos sabem que não se pode inventar o mercado, o que se pode é aproveitar o momento em que o mercado é comprador, e na atual situação que o País atravessa, um tanto abaixo do normal, é certo que os pedidos caiam, não porque hoje a Siderurgia não possa entregar seus produtos ou outra razão qualquer.

É o homem mordendo o cachorro.

O que se pode redarguir é que a Siderurgia Brasileira, melhor dizendo, suas empresas, têm suas identidades próprias, muito conhecidas, e nesta área nada temos a fazer. Cabe a cada uma delas ter respondido bem à altura dos problemas de mercado do aço em um ambiente geral de razoável recessão em nível dos clientes locais e dos que estão no exterior.

Então, não estamos errados se dissermos que ela não pode inventar que tudo vai bem. Aliás, dizia um famoso membro do senado americano – não lhe dou a honra de citá-lo – que se você quer explicar, já mostra um sinal de culpa.

Isso nos lembra o noticiário sobre a atual conjuntura, espantosamente complicado, que a imprensa – vamos falar então somente da nossa imprensa – tenta dissecar. Aproveito o ensejo para dizer que a Siderurgia foi uma das primeiras entidades a publicar suas estatísticas. Nenhum jornal encontrará falha nestas coisas e sua associação sempre manteve um serviço impecável de apoio à imprensa.

E por aí vem outra vez a historieta do cachorro (então, quem é que está mordendo?) na atual conjuntura. Os problemas de hoje se juntam a uma longa cadeia da história do nosso mercado de aço, ora para cima ora para baixo, o que é mais do que natural. Vamos nos fixar nesta última fase: uma situação mundial complexa, que afeta as indústrias na sua programação.

A questão, então, pode ser entender as peripécias do mercado e o que a indústria pode fazer, pois ela não controla os governos, que cuidam da economia, nem pode obrigar o mercado a comprar.
Então qualquer coisa está errada. Um fato conhecido é que indícios de recessão são sempre estressantes. A imprensa tem acesso a tudo que a Siderurgia fez e faz, e devia estar anunciando o que vai fazer se buscar com ela a informação. Estes, sim, não são comportamentos inconsequentes.

Por exemplo, os planos do governo são uma coisa. Lemos na imprensa uma farta publicação de planos de crescimento. No outro dia, lemos um elevado número de projetos ainda em curso, os quais são de repente classificados como projetos a terminar, e nada mais do que isso, alegando que só passaram um pouco do prazo.

No dia seguinte, a imprensa ataca o governo porque as obras estouraram o calendário, e isso agora virou moda no país. O único setor que não está anunciando planos de crescimento é a Siderurgia.

Mas fatos são fatos. A revista Industrial Heating é uma revista com bom trânsito em diversas áreas técnicas, mas não políticas, nem tem assuntos a tratar com o governo. Em particular, a revista tem muito contato com um bravo e lutador setor de peças para a indústria automobilística, abrigado no Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), área importantíssima para o ramo automobilístico.

A Industrial Heating publica também artigos técnicos desenvolvidos por profissionais do ramo, sejam da Indústria, da Academia ou de ambos. Enfim, ela é um arauto inteligente, com livre trânsito em diversas áreas técnicas, mas repito, não políticas.

Na próxima edição terminaremos estas considerações, quando os leitores entenderão melhor estas questões, uma vez que hoje quase não existem mais aquelas empresas siderúrgicas do nosso passado, agindo cada uma a seu modo nos momentos de crise de mercado.

O que hoje existe no mundo são conglomerados de produção de aço, alguns com sede no exterior, e as antigas empresas brasileiras fazem parte destes conglomerados.

No outro extremo, uma grande empresa brasileira fabricante de aço foi lá fora e adquiriu usinas de aço em vários países, o que mostra que estes movimentos têm sido a razão de que estes conglomerados estão a par de todas as situações de mercado, mundo afora, portanto sabem acertar muito mais suas estratégias de mercado na atual conjuntura mundial.

Na próxima edição, para não misturarmos os assuntos, traremos a esta coluna um relato sobre a marcha da Siderurgia Brasileira, uma curva sempre ascendente, no que diz respeito a um bom acompanhamento de mercado, nacional e internacional, e muita pesquisa. O uso de novas técnicas e tecnologias pelas empresas é, hoje, um grande fator de respeito por parte de seus pares no exterior.

Fred Woods de Lacerda
Fred Woods de Lacerda
Formado em Engenharia Civil pela UFPR - Universidade Federal do Paraná. Tem grande experiência na área siderúrgica, com passagens na então Acesita e CAEMI, entre outras. Gerenciou fábricas de refratários na instalação e posterior produção no Brasil. De 1973 a 1982 foi secretário geral do IBS - Instituto Brasileiro de Siderurgia, hoje Instituto Aço Brasil. Nesta função acumulou o cargo de secretário regional do ILAFA, Instituto Latino Americano del Fierro y Acero

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